The Journal

Shoe Business Pt. 3

It is our great pleasure to introduce Sr. Artur Lopes, who is the Floor manager and supervises the painting of our patinas, the creme de la creme of hand crafted shoes. Discover his Undandy story below…

How long have you worked with shoes?

I started working with shoes 54 years ago. Fifty years ago, it was very different. The order control for instance used to be done with little paper sheets, everything done by hand, and later it evolved.

Nowadays I have several tasks, all involved with the supervising the manufacture of a shoe from start to end, to follow all the production process. Basically, I manage all the work from the assembly team, almost like a vigilante.

I never worked at any production step specifically, but I have worked in al the different processes, due to a need on that specific time, for specific temporary situations that need extra support.  I learned everything by myself, I learned by seeing others doing it and doing it myself whenever needed. My family was already involved in the shoe manufacture. I never looked for a different job because I always felt good doing what I was doing, when people feel good they don’t look for something else to do. I learned my trade with my father that many times brought extra work home, to make ends meet with a family of ten. At the time, there was a very specific type of shoes that this area specialized in, called glove shoe. They needed to be stitched with the hands, without needles, my father would do the holes and me and my brothers would stitch them by hand. The threads were made from pig’s hair which we would cover with wax to stitch. Nowadays no one does this type of shoe anymore, this specialized craftwork disappeared and there are no schools teaching crafts like this. 

Comecei a trabalhar com sapatos há 54 anos. Há 50 anos atrás a fábrica funcionava de forma muito diferente. Há medida que todos os processos foram evoluindo, nós também fomos evoluindo. O controle antigamente, por exemplo, era feito com umas fichinhas que havia na altura, era tudo escrito à mão, depois foi tudo evoluindo.

Hoje em dia tenho uma série de funções, desde o acompanhamento de mostruários da nascença até à saída, acompanhar todo o processo de fabrico, de materiais. É basicamente supervisionar todo o trabalho da área de montagem, orientar o trabalho, quase uma vigilância.

Nunca trabalhei em nenhum posto da fábrica específica, podemos dizer que já trabalhei em todos os postos, tirando o meu posto de trabalho, isto porque houve necessidade de trabalhar naquele sítio em alguma altura, em situações temporárias que necessitem de um pouquinho mais de apoio. Fui aprendendo tudo sozinho, nunca precisei de explicadores para nada, fui aprendendo a ver a fazer e a fazer quando era preciso. Na minha família está tudo envolvido na indústria dos sapatos, tirando um dos meus irmãos que foi trabalhar num ramo diferente, de resto todos os meus irmãos e o meu pai sempre trabalharam com sapatos, o padrasto da minha mãe, a quem eu chamava de avô, trabalhava também já com sapatos. Também nunca procurei muito outro trabalho diferente, porque me sentia bem a trabalhar com sapatos e gosto do que faço, quando as pessoas se sentem bem não procuram outras coisas. Aprendi a trabalhar com o meu pai, porque ele trazia todos os dias trabalho extra para fazer e para equilibrar o sustento, estamos a falar de uma família de 10 pessoas. Na altura havia um tipo de sapato muito específico daqui da zona, chamado sapato luva, que tinha que ser cosido à mão, sem agulhas, o meu pai fazia os furos e nós, os pequeninos, cosíamos à mão. Os fios eram chamados sedas e eram pelos compridos de porco, colocávamos cera nas pontas e cosíamos tudo à mão. Hoje em dia já ninguém faz este tipo de sapatos, esse tipo de mão de obra foi desaparecendo, não há escolas a ensinar estas técnicas.

Most difficult part of the job?

The patina shoes need careful attention. It’s not an easy task because it involves hand painting each shoe, so we need to account for variability. Another difficult part is dealing with the chemical reaction of the leathers, we are working with animal leathers so sometimes it’s enough to have a different way of tanning the leather and the end result is completely different. We need to work with virgin leather, free from chemical products, precisely so it doesn’t interfere with the painting. After cleaning the leather thoroughly, we need to paint it with an aniline base for the colour to stick. The tools that you use really impact the finished result, different brushes and different sponges will give very different results. The patina effect for is one of our most popular finishes because it is so unique.

A pintura das patinas requer especial atenção. Não é um trabalho nada fácil pois não é um trabalho automatizado, tudo o que não é automatizado, é sempre mais complicado. Os sapatos então, vêm aos pares, há sempre um esquerdo e um direito e às vezes é complicado que os dois fiquem iguais, há sempre pequenas variações. Outra parte difícil é lidar com a química das peles, basta o curtimento da pele vir alterado por alguma razão que a pintura já vai provocar ali uma alteração ao processo. É preciso trabalhar com peles cruas, limpas de produtos químicos, precisamente para não interferir com o processo de pintura. Depois de limparmos bem a pele, pintamos com uma base de anilina para agarrar a cor, temos que garantir que a tinta se mantem nos sapatos, tem que ser uma pintura segura. Às vezes corremos o risco de, na mesma cor, pintar um dos pés e depois pintarmos o outro pé com o mesmo processo e eles darem tonalidades diferentes, até acertar a cor igual nos dois é muito complicado. Para além de que, na mesma tinta, se quisermos conseguimos dar três tons de tinta diferentes de acordo com os materiais utilizados na pintura, pincéis e esponjas diferentes provocam tons diferentes. Mas é por esta razão que o efeito patina é um dos nossos acabamentos mais populares, por ser tão único. 

 What do you enjoy about working with Undandy?

What makes Undandy special for me is the fact that the shoes are created by the clients and the freedom of choice that each client has. Everyone missed this need and this is the biggest competitive advantage of the brand, to give the client exactly what he wants. It’s written in the website and it is the true. Some mixes of colours started appearing and in the beginning I thought who is going to wear these shoes?. But the funny part was, that after the shoe was done, the final result would look really good. Last time I was in Lisbon at an Undandy event I was noticing all the different styles and seeing that these shoes with all these different colours could really look amazing depending on what the person is wearing from the feet up. And if the person is comfortable in the shoes, the person has style!

O que a Undandy tem de especial, e eu já comentei isso várias vezes, são as escolhas dos clientes e a liberdade de escolha que cada cliente tem. Isto passou ao lado de toda a gente e se calhar será isso uma das grandes armas da marca, dar ao cliente aquilo que ele quer. Está escrito lá e é assim que é. Começaram a aparecer criações aqui que não lembravam ao diabo, misturas de cores que muito sinceramente eu pensava: ‘mas quem é que vai andar com este sapato?’. Mas o engraçado é que depois de o sapato estar feito até tem algum sentido. Da última vez que estive em Lisboa reparei que cada pessoa tem o seu estilo e comecei a ver que alguns sapatos mesmo com aquelas cores, vão ficar bem dependendo do que a pessoa tem para cima dos sapatos. E se a pessoa estiver confortável a usar, tem estilo!

48 by Banks

Life philosophy?

Each person has their way of living. Sometimes we think that we would love to have someone else’s life, they are always wondering… But these people also die, they also get sick. Today I can’t find another way of living different from the one I have. Quality of life is when a person feels good. I feel good working. I feel good arriving home and going to the garden and work on my vegetables. Apart from that I have many other lives! I’m a fireman, I used to work for the town’s council, I was president of a cultural collectivity for many years, I’ve done theater… From 8am to 6 pm my head is at work, after that I organize my time for all of these activities. The good thing is that I don’t enjoy sleeping that much, some days I wake up at 5 am and go fishing. For me life is this, feeling good and not wanting someone else’s life.

Cada pessoa tem o seu modo. Às vezes pensamos: gostava tanto de ter a vida daquela pessoa que anda sempre para aí a passear… Mas estas outras pessoas também morrem, elas também ficam doentes. Eu hoje não consigo encontrar outro modo de vida que não seja este, se não for aqui é acolá. Qualidade de vida é quando a pessoa se sente bem. Eu sinto-me bem a trabalhar, sinto-me bem a chegar a casa e ir para o quintal um bocadinho para a horta. Essa é a minha qualidade de vida. Além disso tenho outra vida! Sou bombeiro, já fui vogal da junta de freguesia durante muitos anos, já fui presidente de uma coletividade durante muitos anos, já fiz teatro. Das 8 da manhã até às 6 da tarde só penso na fábrica e no meu trabalho na fábrica, depois disso faço o que eu quiser e organizo o meu tempo para estas atividades todas. O que vale é que gosto pouco de dormir, ainda há dias que acordo às 5 da manhã e ainda vou à pesca. Para mim a vida é isso, eu sentir-me bem e não tenho aquela gana de ter a vida do outro.

 

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Just remember gents to design responsibly.