The Journal

Shoe Business Pt. 2

Mário Marques is the Undandy Pattern Technologist, and works on making your custom creations a reality, overseeing the shoes cutting and stitching. Discover his story…

How long have you worked with shoes?

I started working with shoes around 30 years ago, a lifetime no? My family always worked with shoes, my brothers all work with shoes as well. I started when I was a kid. When I entered the first workshop, I started working with edge shiving before passing to the cutting section. In 1981 I decided to take a degree in pattern making, here in the technologic center of São João da Madeira. I really started from the bottom!

After my degree, I travelled to Zimbabwe and South Africa for five years where I worked as a pattern maker and taught pattern making to local craftsmen, which was a really interesting experience.

Comecei a trabalhar com sapatos há cerca de 30 anos, já é uma vida não? A minha família sempre trabalhou em calçado, os meus irmãos trabalham todos com calçado. Comecei quando era miúdo. Quando comecei a trabalhar na primeira fábrica, comecei por trabalhar com a máquina de facear antes de passar para a secção de corte. Em 1981 decidi tirar o meu curso de modelagem, aqui no centro de formação tecnológico em São João da Madeira. Foi por etapas, comecei por baixo.

Mais tarde viajei até ao Zimbabué e até à África do Sul durante 5 anos e lá trabalhava também com modelação, primeiro a fazer e mais tarde a dar formação a uma colónia local, foi uma experiência muito interessante.

What part of the shoe making process do you most enjoy?

What I really love doing and what is really my cup of tea is pattern making. It is what I really enjoy doing and the beginning stage of the shoe making process, it is the most important task. To make a pattern you need to cover the entire last in paper, you have to design the model in the last, need to make a template to see if the shoe is well done and after that I need to separate all the different sections of the shoe and pass it along for cutting which is done manually or by computer. But the design of the patterns needs to be done entirely by hand, there is no machine that can do it. The fun and interesting part is that I receive a very small image with a concept for a shoe and from that alone I need to imagine the real shoe, see all the separate sections of the shoe in my mind, plan them until I can create the first sample. There are shoes that have as many as 40 to 50 different sections so you can imagine the work involved.

O que gosto mais de fazer é mesmo a modelagem, este é o meu ramo. É o que gosto mais de fazer e é onde se começa a fazer o sapato, é o trabalho mais importante. Tem que se forrar a forma com papel, tem que se desenhar o modelo na forma, tem que se fazer um pullover em papel para ver se está bem ou mal e a partir daí a pessoa manda os moldes à mão ou manda para o computador.  Mas a parte de fazer os moldes tem que ser feito tudo à mão, ainda não há uma máquina que faça. A parte engraçada é que a partir de uma fotografia pequenina tenho que imaginar o sapato real, ver todas as linhas do sapato e todas as peças separadas para planificar, até sair a primeira amostra. Há sapatos que tem cerca de 40 a 50 peças.

What is the most challenging part of your job?

Everything can be seen as difficult, but when we have a difficult task at hand we need to try to make it the simplest we can. The trickiest part is trying to make everything easy for production, to make it faster and more efficient. We need to make an effort to meet deadlines while delivering the best work possible at the same time.

Tudo pode ser complicado, mas quando estamos a fazer um trabalho complicado temos sempre que tentar torná-lo o mais fácil possível. O mais complicado é tentar tornar tudo o mais fácil possível para a produção, para se tentar fazer mais depressa, tudo tem um timing. A exigência dos prazos é o que torna mais complicado, para fazer um esforço para cumpri-los, mas ao mesmo tempo entregar o melhor trabalho possível.

What is your most memorable Undandy shoe?

I remember an Undandy shoe that arrived here once with brogue detailing that mixed many different colours, it had red, blue, yellow and maybe 2 or 3 more colours. It really caught your attention. It was the first time I mixed so many colours in a dress shoe, its common with sneakers, but on a dress shoe I had never seen anything like that.

Lembro-me de um sapato, que era um sapato com serrilhados e com florão na biqueira que tinha vermelho, azul, amarelo, uma data de cores. Foi um sapato que me apareceu para ai com umas 5 ou 6 cores, que chamava mesmo à atenção. Foi a primeira vez que misturei tantas cores num sapato mais clássico, nos sapatos desportivos é normal, mas num sapato clássico nunca tinha visto.

Life philosophy?

We live day-by-day. We need to think a day at a time and we can’t be concerned with anything else.

Vamos vivendo. Temos que pensar num dia de cada vez e não podemos pensar em mais nada.

Thoughts on the future of Shoe Making…

When I took my pattern making degree, the people that were teaching us also worked in factories. They would work the normal day hours in the factory and after they would teach the degree at night. Those people were the ones that really knew how to teach, now it is the previous students that teach the degree to the following students. What happens is that many interns arrive here in the factory that only know the theoretical part and we have to adapt them to the factory work. The students that take the degree now never worked on a factory before, when I started I had already worked with cutting by hand before, which helped me a lot in understanding how a shoe is built. For roles like designers and pattern makers we still have some people interested in learning, but works like edge shiving are the real problem. There are no degrees on those technical tasks and when the older generations stop working I don’t know how it will be.

Quando tirei o meu curso de modelagem, as pessoas que me ensinavam trabalhavam também nas fábricas, trabalhavam de dia e iam dar o estágio à noite. Essas pessoas é que ensinavam bem, agora aprendem e os mesmos que tiram o curso são os que ensinam os próximos. O que acontece é que chegam muitos estagiários à fábrica, que só tiveram a parte teórica e nós aqui é que temos que os adaptar à fábrica. Agora quem vai tirar o curso não tem formação nenhuma de sapatos, eu quando comecei já trabalhava com sapatos e cortava os sapatos à mão, o que ajudou a perceber o que é um sapato. Para estas funções de estilistas ou modelistas, os jovens ainda vão tendo interesse em aprender, mas o problema que vai surgir um dia destes é principalmente as gaspeadeiras. Não há cursos destas técnicas e quando as pessoas mais velhas acabarem, não sei como vai ser.


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